• David José Pereira postou uma atualização

      3 meses atrás

      Obra: ECOS DOS ORIGINÁRIOS

      Esta obra abstrata nasceu da contemplação daquilo que permanece vivo, mesmo quando o tempo apaga os nomes, o que resta são os ecos dos povos originários.

      Não busquei retratar uma cultura específica, nem reproduzir seus símbolos como representação literal. Minha intenção foi homenagear a profunda relação que esses povos estabeleceram com a terra, com as águas, com o céu e com os ciclos da vida — uma relação construída no respeito, na escuta e no pertencimento.

      Cada traço percorre a superfície como um rio que carrega lembranças. As formas evocam grafismos ancestrais, não como cópias, mas como uma inspiração para refletir sobre as primeiras linguagens da humanidade, quando a natureza era o livro, o templo e a própria voz da existência.

      O azul representa a água, fonte da vida e guardiã da memória. Os tons terrosos remetem ao barro, ao chão e às raízes que sustentam nossa caminhada. Entre eles, o tempo dissolve fronteiras, lembrando que tudo o que somos repousa sobre as histórias daqueles que vieram antes de nós.

      Chamei esta obra de ‘Ecos dos Originários’ porque acredito que esses ecos nunca deixaram de existir. Eles continuam presentes no vento que atravessa as montanhas, no curso silencioso dos rios, nas árvores centenárias e na terra que guarda as marcas de incontáveis gerações.

      Mais do que uma homenagem aos povos originários, esta pintura é um convite ao reconhecimento de uma verdade muitas vezes esquecida: antes de erguermos cidades, aprendemos com as florestas; antes de dominarmos a terra, pertencíamos a ela.

      Talvez seja justamente nesse reencontro com nossas raízes mais profundas que possamos redescobrir não apenas quem fomos, mas quem ainda podemos ser.

      Aquarela auroral pintada a mão por David J. Pereira

      Danielle Celucci
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