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David José Pereira postou uma atualização
Obra: Florescer em luz
Há pinturas que retratam flores. Esta, porém, retrata o instante em que a delicadeza vence o silêncio.
Durante muito tempo procurei a luz como quem procura um destino. Imaginava que ela estivesse sempre distante, escondida depois de alguma conquista, de alguma cura ou de alguma resposta. Mas a natureza me ensinou outra verdade: a luz não é um lugar onde se chega; é uma presença que se revela quando deixamos de resistir ao que somos.
Esta obra nasceu dessa compreensão. Não quis pintar apenas uma flor. Quis pintar o instante invisível em que a vida decide continuar. O momento em que, silenciosamente, algo rompe a escuridão da terra e escolhe crescer, mesmo sem a promessa de um céu sem tempestades.
A aquarela me fascina porque ela nunca aceita ser completamente controlada. A água conduz o pigmento por caminhos imprevisíveis, assim como a vida conduz cada um de nós. Percebi, enquanto pintava, que lutar contra esse fluxo seria negar a essência da própria obra. Talvez seja assim também conosco. Há uma sabedoria em permitir que algumas coisas simplesmente aconteçam.
Os espaços em branco permaneceram porque o silêncio também faz parte da criação. Vivemos tentando preencher todos os vazios, quando, na verdade, são eles que permitem à luz respirar. O que não foi pintado carrega a mesma importância daquilo que recebeu cor. É nesse espaço invisível que a imaginação encontra abrigo e que a alma encontra descanso.
A flor ocupa o centro da composição, mas ela não celebra a própria beleza. Ela testemunha um mistério muito maior: toda forma de florescimento nasce longe dos olhos. Antes da cor, existe a espera. Antes da delicadeza, existe a resistência. Antes da luz tocar as pétalas, ela atravessa a escuridão das raízes.
Por isso escolhi chamar esta obra de Florescer em Luz. Porque acredito que florescer não significa viver sem sombras. Significa permitir que a luz seja maior do que o medo. Significa compreender que nossas cicatrizes não impedem a beleza; muitas vezes, são elas que lhe dão profundidade.
Aquarela autoral pintada a mão por David J. Pereira