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David José Pereira postou uma atualização
Obra: Da Última Folha ao Primeiro Voo
Esta obra nasceu da reflexão sobre os momentos mais difíceis da vida: aqueles em que já não podemos permanecer quem éramos, mas ainda não nos tornamos quem seremos.
O casulo representa tudo aquilo que um dia nos definiu. Nossas certezas, nossos medos, nossas histórias e até mesmo as dores que aprendemos a carregar como parte da nossa identidade. Ele não está morto. Ele apenas cumpriu seu propósito. Foi abrigo, foi raiz, foi sustento.
Mas chega um momento em que permanecer no casulo significa nunca conhecer o céu.
As asas que surgem ao seu lado não aparecem completas por acaso. Elas estão em construção, assim como todos nós estamos. Nenhuma transformação acontece sem conflito. Nenhum voo nasce sem antes existir a dúvida. Entre a última folha e o primeiro voo existe um território silencioso onde habitam o medo, a coragem e a escolha.
Ao criar esta obra, pensei em todas as pessoas que enfrentam batalhas invisíveis. Pessoas que precisam abandonar versões antigas de si mesmas para continuar crescendo. Pessoas que carregam o peso de recomeçar quando tudo dentro delas pede segurança. Pessoas que choram em silêncio enquanto aprendem a abrir as próprias asas.
As cores douradas simbolizam a luz que existe dentro de cada transformação. Já os tons rosados revelam a vulnerabilidade necessária para renascer. Porque mudar não é um ato de força. É um ato de entrega.
O fundo azul representa o desconhecido. O espaço entre o que fomos e o que seremos. Um oceano de possibilidades onde não existem mapas, apenas a confiança de seguir adiante.
Da Última Folha ao Primeiro Voo, é uma homenagem a todos aqueles que se encontram no meio da travessia. Àqueles que ainda seguram a folha que os sustentam com uma das mãos enquanto tentam tocar o céu com a outra.
Porque toda grande transformação carrega um luto. É preciso despedir-se de algo para que algo novo possa nascer.
E talvez a maior coragem da vida não seja voar.
Talvez seja aceitar o momento em que percebemos que já não fomos feitos para permanecer no galho.
É nesse instante que a última folha se desprende.
E o primeiro voo começa.
Aquarela autoral pintada a mão por David J. Pereira