• David José Pereira postou uma atualização

      3 meses atrás

      Obra: Confluência dos Ventos Líquidos

      Nesta obra, busco explorar o encontro entre dois elementos que, embora distintos, vivem em constante transformação um no outro: a água e o ar. Minha intenção não foi representar paisagens reconhecíveis, mas revelar os movimentos invisíveis que conectam esses elementos e sustentam os ciclos da natureza.

      As manchas fluidas da aquarela simbolizam a água em seu estado mais livre — correndo, evaporando, infiltrando-se e se espalhando sem limites rígidos. Já as linhas sinuosas que percorrem a composição representam os caminhos do vento, correntes invisíveis que moldam, conduzem e transformam a matéria ao seu redor.

      Os contornos lembram mapas, não de territórios físicos, mas de forças naturais em movimento. São cartografias imaginárias que registram o diálogo contínuo entre a leveza do ar e a fluidez da água. Em alguns pontos, os elementos parecem se fundir; em outros, revelam tensões sutis, como se estivessem negociando seus espaços dentro da composição.

      A escolha dos tons rosados e terrosos procura transmitir delicadeza, transitoriedade e serenidade. São cores que evocam névoas ao amanhecer, reflexos sobre a superfície da água e atmosferas em constante mutação.

      Confluência dos Ventos Líquidos fala sobre transformação, interdependência e impermanência. É um convite para contemplar aquilo que normalmente não vemos: os caminhos invisíveis por onde a água se torna nuvem, o vento conduz a chuva e ambos participam de um mesmo ciclo eterno.

      A obra sugere que, na natureza, não existem fronteiras definitivas — apenas encontros, passagens e contínuas metamorfoses.

      Aquarela autoral pintada a mão por David J. Pereira

      Danielle Celucci
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