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Adonias Assunção postou uma atualização
Minha linguagem cubista e surrealista
Na minha arte cubista e surrealista, parto da realidade, mas não me submeto a ela. Meu propósito é desconstruir a imagem para reconstruí-la sob uma perspectiva própria, permitindo que diferentes tempos, ângulos, sentimentos e significados coexistam dentro de uma mesma composição.
Do Cubismo, aproprio-me sobretudo da fragmentação da forma, da multiplicidade dos pontos de vista e da ruptura com a perspectiva tradicional. Procuro compreender o objeto não apenas como ele se apresenta aos olhos, mas como ele é percebido, lembrado e interpretado. Por isso, minhas figuras podem ser divididas, sobrepostas e reorganizadas, criando uma estrutura visual em que a realidade deixa de ser linear.
Do Surrealismo, aproximo-me pela liberdade imaginativa e pela possibilidade de ultrapassar os limites da lógica cotidiana. Interessa-me criar situações em que elementos reconhecíveis assumam relações inesperadas, permitindo que a obra opere também no campo do símbolo, da memória e da subjetividade.
Entretanto, não vejo essas duas linguagens como simples referências históricas. Procuro incorporá-las à minha própria experiência e transformá-las em uma linguagem autoral. A geometrização cubista e a liberdade surrealista tornam-se instrumentos para investigar questões que considero fundamentais: o ser humano, sua relação com o mundo, sua espiritualidade, sua memória e sua capacidade de transformar a realidade.
A cor possui, nesse processo, uma função estrutural e expressiva. Não a utilizo apenas para reproduzir a aparência natural das coisas. A cor pode intensificar uma sensação, estabelecer tensão entre planos, conduzir o olhar ou atribuir significado simbólico a determinado elemento. Assim, a composição não é construída apenas pelo desenho das formas, mas também pelo diálogo entre cores, ritmos, contrastes e espaços.
Minha intenção é fazer com que o espectador não encontre imediatamente uma resposta diante da obra. Quero que ele percorra a imagem, descubra relações, reconheça fragmentos e, sobretudo, formule suas próprias perguntas. A obra começa no momento em que deixa de ser apenas aquilo que o artista produziu e passa a existir também na interpretação de quem a contempla.
Minha pintura nasce, portanto, de uma tensão entre realidade e imaginação, ordem e ruptura, matéria e transcendência. Fragmento a realidade para reconstruí-la; distorço a forma para ampliar seu significado; utilizo o imaginário não para fugir do mundo, mas para enxergá-lo por outro ângulo.
É nesse território entre o reconhecível e o inesperado que construo minha linguagem. Minha arte cubista e surrealista é, essencialmente, uma tentativa de transformar a realidade em pensamento visual — uma realidade que não termina naquilo que os olhos veem, mas continua naquilo que a mente, a memória e a sensibilidade são capazes de imaginar.